ele

“…; às vezes, ele juntava mal as partes, mão esquerda no braço direito, osso ilíaco nos ossos do braço, na pressa ou por distração ou aturdido pelas vozes que lhe cantavam no ouvido, coros de vozes FIQUE NOS LIMITES DESABAFE DESISTA ou porque lhe era maçante, sempre a mesma mão no mesmo braço cortar tentáculos sempre crescentes cabeças atrofiadas pescoço, trazer dos membros o que resta acima; às vezes ele retardava sua própria reconstrução, avidamente esperando pelo total aniquilamento com esperança no nada, a pausa interminável, ou talvez por medo da vitória que só seria atingida pela total destruição do animal que era sua morada; fora isto, o nada talvez já esperasse por ele ou por ninguém, no silêncio branco que anunciou o início do ciclo final, ele aprendeu a ler o sempre outro plano de construção da máquina que ele parou de ser novamente era outro com cada olhar garra passo e que ele o pensou mudou escrito com o manuscrito de seus trabalhos e mortes.” (MÜLLER, Heiner. Medeamaterial e outros textos. pag.140. 1993. Paz e Terra)

2 Respostas to “ele”

  1. oi mara, tá trabalhando com o heiner müller?

    muito legal esse espaço, tudo de bom!

    bjs!

  2. elegi temporariamente heiner müller e noverre pra ‘inspirar’ a elaboração de um pré-roteiro pra dança… ainda em construção e teste.

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