Cartografia DR – 1ª SEMANA – 19 a 23/11/2007

Elaboração das questões, conceitos e metodologia da pesquisa

POR TARINA

O fim do começo

Com o Projeto DR (Fomento `a Dança 2006 , realizado entre novembro/2006 e setembro 2007) experimentamos um “algo” inédito em muitos sentidos para todas nós: sem uma figura centralizadora de direção , um processo no qual o produto era o próprio processo e onde tudo era discutido e organizado por todas, sem distinções hierárquicas. Desenvolvemos nosso próprio vocabulário para dialogarmos sobre as estruturas de composição em dança que estávamos criando :nós as chamamos de MAPAS. Os mapas assim como a idéia de cartografia estiveram sempre permeando este projeto , desde a forma pela qual decidimos organizar os lugares de ensaio/performance (geograficamente espalhados por cinco localizações em São Paulo) até o fato de mapearmos todas as relações que conseguimos perceber: entre nós (de poder ,
co-autoria , manipulação) , entre nós e nosso público , entre as estruturas coreográficas por nós criadas/mapeadas , entre os espaços pelos quais transitamos , entre a criação artística e a produção/ produção executiva , entre o que falamos e o que dançamos…
Neste projeto sempre ensaiávamos em espaços abertos (cinco no total , mais o site/blog) e nunca tivemos uma sala de ensaio. Uma das idéias do projeto era revelar/socializar os meios de produção de uma obra coreográfica (discutindo essa relação), desta forma o público poderia experienciar e atuar no nosso processo de construção .
Na nossa ocupação itinerante, cada um destes espaços/lugares nos trouxe questionamentos e mudou o nosso olhar sobre um certo aspecto daquilo que estávamos estudando . Cartografando nossas relações com estes lugares , cartografamos as relações entre nós mesmas e também as estruturas coreográficas (nossos mapas) que nos permitiram encontrar nossa forma de discutir dança.
Desta experiência, aconteceu o CARTOGRAFIA DR , um projeto de pesquisa em dança , contemplado pelo prêmio FUNARTE 2007. Depois de experienciarmos 9 meses de nomadismo, e sem nunca ensaiarmos sem a presença de público, estamos de volta a um dos espaços do Projeto DR (o B_arco) para estudarmos durante alguns meses o desenho desta cartografia por nós criada.
Pensamos a cartogrtafia como algo em movimento , e não completamente definido. Ela se define conforme é experienciada, mas está dentro de certas coordenadas que nos permitem acessá-la. Nos próximos meses vamos aprofundar estas coordenadas , e veremos o que emergirá delas.
Na Cartografia DR, vamos começar a partir das estruturas que já foram apontadas no Projeto DR.
Por enquanto , entendemos os mapas em três grupos:
-Uníssonos
-Tradução
-Manipulação/Solos
Existe contaminação entre estes grupos assim como entre cada mapa, mas cada um tem suas especificidades.
Mesmo estando em uma sala de pesquisa o projeto mantém uma possibilidade de comunicação durante todo a sua realização : semanalmente , publicaremos textos referentes `a nossa pesquisa neste blog , e ao final da pesquisa selecionaremos o que vai para o site.Você pode comentar os textos ou enviar e-mail para nós…

POR SHEILA

Sobre a Pesquisa de Criação

-Conversa sobre o processo de criação dos Mapas que foram configurados no projeto DR discutindo as relações (Fomento a Dança).
#Esses Mapas ganharam material em elaborações de danças, relatos, fotos,vídeos, site/blog.

-No projeto Cartografia (Funarte) o assunto é possibilitar que esses Mapas, cujos nomes também são reconhecidos por (estudo/pesquisa do) uníssono, (estudo/pesquisa) de táticas de tradução, (estudos/pesquisa) de manipulação possam ser aprofundados,seguindo formatos de pesquisa coletiva que são elaborados na experiência desse encontro, promovidas por discussões entre Mara ,Laura,Tarina e Sheila.

#Esses 3 itens que escolhi citar interligam-se a outros Mapas/procedimentos que recebem nomeações como duos,solos,mapas para o público que também podem vir a ser testados na Cartografia.

#Ainda refletindo a respeito do DR – discutindo as relações
espaço de verbalizar ocorrências encontrar modos de realizar essa verbalização e perceber a comunicação a respeito do processo tanto nos relatos quanto nas danças construídas relacionando essas ocorrências.

-Se a proposta do projeto é tornar o Campo de teste desses itens mais complexo….Quais são as questões apontadas?Quais interessam ao grupo e quais são individuais? Como comportar-se no desacordo, como o espaço continuar sendo produtivo?

# Camadas possíveis: que cada uma das integrantes do projeto interage em propostas individuais ou Mapas (individual que ora transpassa de uma proposição/Mapas em decorrência e /ou complementação para outra proposição), provocando tanto familiaridade entre os Mapas quando deslocamentos, nesse caso outras provocações podem ocorrer na pesquisa, espaço em que os comportamentos podem ser percebidos e usando como alavanca.
#comportamentos que apontam deslocamentos instigantes nos Mapas. Que possibilidades podem existir olhando para o inevitável deslocamento dos encontros entre os Mapas?

– Complexidade das danças /táticas mais aprofundadas/assuntos que vão sendo traduzidos/ quais afirmativas negociamos e por quanto tempo?

#Seguindo como?: identificar o(s) assunto(s) .Esses assuntos podem aparecer como proposição individual ou como outro ponto a ser explorado.
#Buscando? usar as indicativas de questões que já discutidas na dança como assunto transformando esse material em argumentos mais consistentes.

POR MARA

questões iniciais – incômodos – transição entre projetos (dr – discutindo as relações / cartografia dr) – mobilizações para pesquisa

propus 3 níveis de análise como tática para identificação das questões identificadas. porém esses níveis não tem o objetivo de separar instâncias estanques, e sim distinguir as reflexões com base em certos eixos de discussão (movimento, composição, comportamento), sem deixar de considerar a inter-relação entre os níveis sugeridos.

nível I – movimento
– que organizações são lidas e assumidas como interessante para nós em relação as suas configurações de movimento, e porque?
– o que discutir no corpo e como? existem questões além da funcionalidade do movimento?
– quais são as lógicas organizativas e associativas de cada uma de nós? quais interesses particulares?

nível II – composição
– porque dançar em/para público?
– que discussões a dança já propõe como metalinguagem? é só isso que nos interessa, ou queremos discutir outras questões?
– o que chamamos de ‘mapas’, como instruções para composição, podem chegar a que intensidade de reflexão e discussão das propostas compositivas, e como?

nível III – comportamento
– como e porque continuar pesquisando dança? – quais condições de sobrevivência criativa e financeira? – o que alimenta artista, convívio e processo?
– como lidar com a precariedade?
– porque desejo de estar em espaços públicos/compartilhados?

POR LAURA

Criação coletiva ou como viver junto?

Uma das questões que ficaram quando terminarmos o projeto do Fomento foi a da divergência/convergência entre nós. Partimos de uma proposta em comum e chegamos a quatro versões sobre a proposta inicial. A idéia era discutir mesmo, e explicitar quatro pontos de vista sobre os mesmos assuntos acabou sendo das coisas mais férteis do trabalho. Chegamos, então, numa outra proposta comum: a de investigar procedimentos que chamamos de mapas, para compor dança em tempo real. E, claro, vamos elaborar quatro versões desta proposta, até que, talvez, ao fim do projeto, cheguemos em outra idéia comum… A pergunta principal que faço neste momento para esta pesquisa é: como enfatizar, esteticamente (na composição), o dissenso que leva ao consenso e novamente ao dissenso e assim sucessivamente? Começamos por este blog, decidindo publicar, durante sua realização, quatro relatos da pesquisa.

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