Archive for the textos Category

metapesquisa

Posted in fictícios, pesquisa continuada, textos on março 4, 2010 by laubruno

“Metalinguagem e metateatro são maneiras até certo ponto tradicionais de definir a radicalidade dessa operação (…) a finalidade aqui é apresentar o processo de leitura coletiva de um gênero, num procedimento metateatral, sem dúvida, mas que vai além quando se filia a uma tendência forte na prática teatral contemporânea, e transforma o processo de releitura no produto apresentado. Assim, o espetáculo dá conta não apenas daquilo que representa, mas da atitude dos criadores diante do que encenam, incluindo-se aí sua posição diante do texto e da atuação.” (SILVIA FERNANDES, sobre Melodrama in Na Cia dos Atores, 2006).

pós-dramático

Posted in fictícios, pesquisa continuada, textos on março 4, 2010 by laubruno

“Não por acaso, é na dança que as novas imagens corporais podem ser consideradas de modo mais claro. A dança é radicalmente caracterizada por aquilo  que se aplica ao teatro pós-dramático em geral: ela não formula sentido, mas articula energia, não representa uma ilustração, mas uma ação. Tudo nela é gesto.” (HANS THIES LEHMANN in Teatro pós-dramático, 1999)

de onde viemos

Posted in pesquisa continuada, textos on março 4, 2010 by laubruno

“O ensaio nasce com a crítica, é o gênero da critica. No entanto talvez seja preciso corrigir o que entendemos por critica. Em primeiro lugar, se o ensaio é o gênero da critica, é porque é o gênero da crise, da crise de uma certa forma de pensar, de falar, de viver. (…) A escrita é um dos lugares do ensaio. Não há dúvida de que certos modos de produção artística também são atravessados pela operação ensaio. Seria interessante, talvez, pensar a partir desta perspectiva algumas das formas artísticas mais experimentais das vanguardas históricas e de seus herdeiros. Alguns dos cineastas da Escola de Barcelona, desconfortáveis frente à distinção entre o cinema documental e o cinema de ficção, chamam de ensaio às suas produções”. (JORGE LARROSA, in Operação Ensaio, 2004).

um roteiro – v de verônica

Posted in fictícios, pré-roteiros, textos with tags on março 3, 2010 by tarinaquelho

“quase roteiro” 

Personagens:

Verônica – cantora, 35-40 anos

Mauro Merlino – crítico de música de um jornal

Produtor de Verônica

Secretária do jornal

Cena 1 – int. em um teatro – Noite

Silêncio. Subjetiva de uma platéia lotada, todos de pé aplaudindo.

Detalhes  boca de Verônica em close, segurando uma nota longa.

Olhos de Verônica. Detalhe de rosto  de Mauro Merlino na platéia.

Agora vemos Verônica de corpo inteiro, na nota final de seu bis.

Verônica (off)

Não sei como aquilo foi acontecer.

Vemos Verônica de corpo inteiro nos momentos finais de seu show. Em câmera lenta um jornal é lançado de algum ponto e atinge Verônica no rosto. Verônica cambaleia. Platéia fica paralisada e assiste sua queda. Ela bate com o rosto no chão . Som da batida. Sangra. Arrasta-se , com dificuldade para a coxia esquerda, puxa o microfone para perto de si. Platéia atônita.

Cena 2 – int. quarto de Verônica – Dia

Verônica está deitada dormindo, ainda vestida com a roupa que chegou. Toca um telefone. Verônica arrasta-se para fora da cama. Leva a mão até a cabeça.

Verônica

Ai…

Ela chega até o telefone.

Verônica (voz de ressaca)

Oi…

Voz do produtor de Verônica(do outro lado)

Verônica… Você ainda está em casa ?? O que você foi fazer! Meu Deus, você é louca…. Isto ultrapassa qualquer limite do aceitável, não sei o que posso fazer para te ajudar. Você tem um advogado??

Verônica

Hã?

Voz

Verônica!…

Verônica

Calma. (pausa) Que tá acontecendo?…

Voz

Veroniquinha, meu amor da minha vidinha, você não sabe o que aconteceu???

Cena 3 – int. no palco do teatro – noite

Mesma sequência da cena um, mas agora não é no silêncio. Vemos e ouvimos os últimos momentos do show. Boca de Verônica, olhos, detalhe do rosto de Mauro Merlino na platéia. Todos aplaudem. Ela agradece e sai para a coxia.

Cena 4  – int.no camarim – noite

Pessoas parabenizam Verônica.

Produtor de Verônica

O Mauro Merlino veio pela segunda vez querida! Acho que ele adorou…

Todos saem. Ela fica sozinha. Abre uma garrafa de champagne. Sorri , enche uma taça e brinda sozinha.

Cena 5 – int. num karaokê – noite

Verônica lê as notinhas de uma música sertaneja na tela do karaokê semi – vazio.

Pessoas urram. Aplaudem. Verônica chora de emoção.

Verônica

Eu sou cantora!!!!

Pessoas aplaudem.

Cena 6 – hall do apartamento de Verônica – dia

Verônica está chegando da noitada.

Um jornal na porta de seu apartamento.Ela abaixa e pega. Começa a separar os cadernos. Chega no caderno de cultura. Abre a segunda página e lê um título : “Verônica erra”. Fica parada lendo a matéria. Após uma pausa gira uma chave e entra em casa.

Cena 7 – int. ap de Verônica – dia

Verônica bebe um copo de whisky. Na mesinha a seu lado um castiçal de prata.

Cena 8 – ext. rua – dia

Verônica dentro de um táxi. Sua cabeça está encostada na janela lateral.

Cena 9 -  int numa redação de jornal – dia

Verônica está sentada numa banco.

Secretária do jornal( falando com uma jornalista)

Essa aí tá esperando o Mauro… Sei lá eu pra quê.

Mauro chega. Cumprimenta Verônica educadamente.

Mauro

Gostaria de falar comigo ?

Verônica assente com a cabeça.

Ele dirigi-se a uma porta ela o segue.

Cena 10 – int. um escritório – dia

Mauro senta-se em uma mesa. Verônica em frente a ele.

Verônica ( com voz um pouco enrolada, mas séria)

Porque você disse que eu errei?

Mauro (paciente)

Olha, Verônica, minha profissão é…

Verônica (o interrompendo)

Você não pode reescrever , dizendo que se enganou?

Cena 11 – int.  redação de jornal – dia

Verônica com o castiçal sujo de sangue nas mãos atravessa a redação. Todos que ali estão a observam sair pela porta principal mudos e atônitos.

Cena 12 – int. quarto de Verônica  – dia (mesmo “tempo” de cena 2)

Verônica está deitada dormindo ainda com a roupa que chegou . Telefone toca.

Fim.

interesse lascivo

Posted in fictícios, textos on fevereiro 27, 2010 by maraguerrero

“Podemos nos sentir obrigados a olhar fotos que recordam graves crimes e crueldades. Deveriamos nos sentir obrigados a refletir sobre o que significa olhar tais fotos, sobre a capacidade de assimilação efetivamente aquilo que elas mostram. Nem todas as reações a tais fotos estão sob a supervisão da razão e da consciência. A maioria das imagens de corpos torturados e mutilados suscita, na verdade, um interesse lascivo. (…) Todas as imagens que exibem a violação de um corpo atraente são, em certa medida, pornográficas. Mas imagens do repugnante também podem seduzir. Todos sabem que não é a mera curiosidade que faz o trânsito de uma estrada ficar mais lento na passagem pelo local onde houve um acidente horripilante. Chamar tal desejo de “mórbido” sugere uma aberração rara, mas a atração por essas imagens não é rara e constitui uma fonte permanente de tormento interior.” (SONTAG, Susan. Diante da dor dos outros.. 2003, pg. 80.)

pré-roteiro mara

Posted in fictícios, justificativas, pré-roteiros, textos on fevereiro 21, 2010 by maraguerrero

este pré-roteiro se esboça a partir de inspirações referentes aos seguintes posts, que estão neste blog:
caça
cats
teoria do complô
noviça
thriller
ele
a última dança

Uma caçada termina com uma bailarina/felina morta;
Ou, uma bailarina, de trinta e poucos anos, morre de tanto dançar.

Escaleta:
Várias pessoas andam em uma praça. A circulação de pessoas torna-se ordenada ao ponto de chegar numa coreografia de caminhadas. Estas pessoas vestem rabos.
Todos juntam-se no centro da praça e quando abrem há uma mulher – bailarina – está morta, caída no chão na praça, com sangue no rosto.
Close na bailarina morta.

ROTEIRO:

CENA 1 – EXTERNA – PRAÇA – DIA
Várias pessoas andam em uma praça, desordenadamente. Todas vestem camiseta branca e calça jeans.
Pés caminhando para frente.
Pés caminhando para trás.
Corpos caminhando.
Mão, pequeno gesto de garra.
Corpos caminhando.

CENA 2 – EXTERNA – PRAÇA – DIA
Uma pessoa move-se com braços para cima e pés na meia ponta (caminhada 1), no meio de pessoas que continuam caminhando normal.
Outras pessoas vão entrando neste mesmo movimento. Cruzam espaço neste movimento.
Todos estão com rabo. Já não há mais ninguém caminhando normal, todos se movem, com esta caminhada e introduzem mais duas: caminhada de costas pelo rabo (caminhada 2) e de frente estendendo braço e perna opostos com tronco inclinado para frente e rosto olhando para frente (caminhada 3), e fazem movimento de grunhido com rosto.

CENA 3 – EXTERNA – PRAÇA – DIA
Continuam com estas 3 caminhadas e se unem em trios de mãos dadas, com pessoas de alturas equivalentes. Continuam a mover-se com este repertório das 3 caminhadas e grunhido.
Realizam estas caminhadas em diagonal na praça.
Organizam-se por altura (dos mais baixos para os mais altos) em relação a frente do movimento.

CENA 4 – EXTERNA – PRAÇA – DIA
Todos se juntam e formam um bolo no centro da praça.
Pausa.

CENA 5 – EXTERNA – PRAÇA – DIA
Abrem bolo e tem uma pessoa caída no chão com sangue no rosto

CENA 6 – INTERNA – PALCO
Bailarina entra, começa a se aquecer. Três outras bailarinas estão ao redor, se aquecem também. Clima de tensão.
A bailarina começa a coreografia, e não pára mais. As outras três observam atentas.
Ela pede ajuda as outras entram na coreografia, saem após um momento.
Voltam. A bailarina solista continua. Se aproximam dançando e a bailarina cai no chão ensanguentada. As três observam.

teoria do complô

Posted in fictícios, pré-roteiro mara, textos on fevereiro 7, 2010 by maraguerrero

“… podemos ver o complô como uma ficção potencial, uma intriga que se trama e circula, e cuja realidade é sempre duvidosa. O excesso de informação produz efeito paradoxal, o que não se sabe passa a ser a chave da notícia. O que não se sabe, em um mundo onde tudo se sabe, obriga a buscar a chave escondida que permita decifrar a realidade…” (trecho retirado do texto “Teoria do Complô” de Ricardo Piglia).

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